segunda-feira, 10 de outubro de 2011

É tempo de Pequi em Itapirapuã e região.

Pequi, amado ou odiado. Com ele não tem meio termo. A partir do mês de setembro já aparecem os primeiros frutos, é tempo de explorar o cerrado. É tempo do pequi em Itapirapuã e região,que este ano, com a longa estiagem, demorou um pouco para amadurecer. Fruto típico do cerrado, de aroma forte e sabor característico, é um ingrediente indispensável na culinária da região, incrementando a alimentação dos itapirapuenses e marcando presença nas mesas das diversas classes sociais, desde pratos simples aos mais sofisticados.




Centenas de apreciadores e vendedores percorrem o cerrado a procura deste fruto tão apreciado, tarefa mais fácil principalmente após cair uma chuva, quando dezenas de frutos caem com a ventania, ou pela manhã, ainda cobertos pelo sereno da madrugada. A feira e ruas na cidade exibem a venda, como também é frequente nas margens das rodovias uma infinidade de sacos cheios dos frutos à disposição para os motoristas e viajantes.


É pequi com arroz, com frango, com carne, em conserva ou puro. É hora de sentir aquele aroma inconfundível do fruto sendo preparado nos lares esparramando aquele gostinho de fome em gulosos estômagos..


A culinária do Estado reserva pratos variados para todos os gostos, unindo fruto ao arroz, ao feijão, à carne ou solitário mesmo, com ou sem molho. O fruto cozinhado com arroz e galinha e arroz com carne de sol, como também com a galinha caipira são os pratos mais apreciados. Não só o aroma é forte, o fruto é para ser apreciado para quem tem estômago resistente. É desnecessário dizer o efeito colateral, quem se delicia com o pequi é capaz de se lembrar da ingestão mesmo que arrote horas depois de tê-lo consumido.


O sertanejo sabe que a fruta só estará apta para o consumo quando cair do pé. Não se deve colher os grandes frutos no cacho, pois geralmente ficam secos (com fina polpa) murcham e não se desprendem da casca. O pequi caído do pé sofre a ação do calor do sol e do solo, amolecendo a casca. Após um ou dois dias, esse processo deixa-a tão mole que é capaz de dissolver ao toque da mão, liberando o caroço.


Mas o fruto conhecido cientificamente como Caryocar brasiliense, o Pequi não é exclusivo da região nem de Goiás, pode ser encontrado nos outros estados do Norte e Nordeste, no Centro-Oeste e no norte de Minas Gerais, onde também é utilizado na culinária regional.


O pequizeiro tem geralmente 10 metros de altura, tronco de casca áspera e rugosa. Como outras frutas do cerrado, entre elas o buriti, o pequi não tem uma produção constante ano após ano. Quando a arvore troca a folha verde-escura pela roupagem verde-clara no outono, é garantia de que a produção será boa.


A floração aparece a partir de julho, quando a espécie fica carregada de flores de filamentos e pétalas brancas. O fruto também é rico alimento para a fauna do cerrado. Sabe o sertanejo que poderá valer-se de outros dividendos enquanto aguarda a produção garantida: várias espécies de animais procuram o pequizeiro para alimentar-se das flores que caem.


Tatus e pebas costumam enterrar o pequi para apressar a putrefação e liberar o caroço, voltando depois para degustar o fruto. Os esquecidos contribuem para a continuidade da espécie, já que renascem em novas áreas.


Quem pensa que a utilização do pequi encerra-se na mesa subestima-o. A fruta pode ser aproveitada para extração do óleo comestível, que tem inclusive propriedades medicinais, licores e sucos. A polpa extraída dele em tiras pode ser usada em conserva.
Seu caroço é dotado de muitos espinhos, e há necessidade de muito cuidado ao roer o fruto, evitando cravar nele os dentes, caso contrário, pode causar ferimentos nas gengivas. Hoje, apesar da proteção estabelecida em lei, o pequizeiro é extremamente ameaçado pelo avanço agropecuário e emprego na indústria do carvão vegetal.

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